Ontem enquanto enxugava as lágrimas do meu rosto, vivendo na pele a perda de meu avó paterno, do qual não pude me despedir por estar aqui. Meu marido dizia que talvez um dia, quando fosse possível a clonagem humana nós falaríamos da morte naturalmente, pois seria fácil de acreditar que as pessoas que perdemos, na verdade não mais se perderiam de nós.
Infelizmente não consigo acreditar nisso. Porque na verdade, já tratamos da morte como normal, como “da vida”. Ironicamente, não sentimos pela morte. Uns até acreditam em Deus, no paraíso, na reencarnação, outros simplesmente desacreditam, e assim vamos suportando a idéia de morrer.
Acho que a clonagem humana nada mais do que a robótica humanizada. Quem veio aqui viver, e depois partiu, jamais estará nesta mesma vida de novo, do mesmo jeito. O corpo e a essência vivem juntos até morte, depois é cada um pra um lado. É e disso que sentimos saudade. E é com isso, que acredito que não vamos nos acostumar. Não ter mais por perto alguém que amamos, não poder ir ao seu encontro quando essa saudade apertar. Não poder olhar nos olhos e dizer tudo aquilo que a maioria de nós só passa a dar valor depois que não pode mais fazer.
Ainda bem que eu aprendi a amar com meu avó e sempre pude dizer o quanto o amava. Porque ele praticou esse amor com todos os netos, comigo a mais velha deles, e também com a mais recém bisneta, minha filha.
Seu Fernando Belo foi um homem forte, de opinião, autoritário típico militar, mas doce como um sorriso de criança. Enquanto pôde, visitava todos os filhos saindo de casa às seis da manhã para levar frutas e pães para os netos. Contou histórias, cantou músicas, fez rir e fez chorar. Teve defeitos, ainda bem, pois foi com eles que seus filhos aprenderam na vida. E as qualidades, os netos puderem viver.
Não sei se consigo falar por alguém, mas amo avô, como o bom avô que ele foi pra mim. O resto, só cabe a quem viveu.
Esta foto, foi no nosso último encontro, há um mês, quando minha filha fazia seis meses. E mesmo já combalido pelas mazelas da vida, ele cantou pra ela. E essa é uma das lembranças que me fará chorar de saudades, assim como todas aquelas que eu vivi a seu lado.
Meu avô, que Deus ilumine seus caminhos por onde quer que o senhor passe nessa nova jornada. Te amo!
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